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Contrabaixo

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A CONSTRUÇÃO DO CONTRABAIXO

contrabaixoOs contrabaixos são construídos a partir de diversos tipos de madeira, tais como o ácer nas costas, ilhargas e braço, o abeto no tampo e o ébano no ponto e no estandarte. O cavalete é feito de uma madeira macia, como, por exemplo, a faia. Hoje em dia, principalmente a nível académico, usam-se madeiras compostas (contraplacados), por questões económicas e também por serem mais resistentes à humidade, ao calor e, felizmente, às pancadas! As diversas partes são coladas com grude, excepto a alma, o cavalete e o espigão, que estão fixadas apenas pela tensão das cordas

A forma do contrabaixo está relacionada com a dos violinos, mas também são óbvias as parecenças com as violas da gamba, nomeadamente com o violone. No entanto, estes instrumentos antigos têm geralmente seis cordas, além dos trastes no ponto, à semelhança da nossa conhecida guitarra. As diferenças em relação à família dos violinos estão nas cravelhas, que não são de madeira, mas sim de metal.

CORDAS

Antes de 1900, as cordas de contrabaixo eram geralmente feitas de tripa de animal, altura em que começaram a ser substituídas por cordas de aço, mais fáceis de afinar e com maior volume de som, quando tocadas com arco.

ARCOS

O arco do contrabaixo tem duas formas distintas, o chamado arco francês e o arco alemão. Enquanto no primeiro a mão fica por cima do arco, tal como nos restantes instrumentos de corda friccionada, no alemão, a mão fica por baixo. Esta diferente maneira de pegar no arco, faz com que o movimento do braço e a distribuição da força na corda seja diferente, exigindo uma diferente construção.

O arco alemão, também chamado “arco Dragonetti”, é o mais antigo. Tem o talão maior para se adaptar à palma da mão. O arco francês tornou-se popular pela mão de Bottesini, assemelha-se na maneira de pegar os arcos dos instrumentos mais pequenos da família. As diferenças na execução não são significativas, mas é normalmente aceite que a escola alemã tem como vantagem uma maior sonoridade, enquanto a francesa é mais cómoda, delicada e flexível.

Os melhores arcos são feitos de Pernambuco, para que a vara seja flexível, mas esta madeira cada vez mais rara é geralmente substituída por outras madeiras brasileiras. O talão é feito de ébano, normalmente embutido com osso ou outro material – marfim nos antigos, o qual também aparece por vezes na ponta do arco. As cerdas são geralmente crinas de cavalo tratadas, brancas ou pretas – estas últimas só se usam no contrabaixo.

RESINA

Retirada dos pinheiros, é usada nas cerdas para que estas friccionem bem a corda e a façam vibrar convenientemente.

A HISTÓRIA  E O REPERTÓRIO CLÁSSICO DO CONTRABAIXOcontrabaixo

SÉCULO XVIII

É neste século que os compositores se atrevem pela primeira vez a escreverem peças para contrabaixo a solo. Sabe-se que Haydn escreveu um concerto para este instrumento em 1763, o qual infelizmente se perdeu. O concerto para contrabaixo mais antigo que se conhece actualmente é de Dittersdorf, um compositor vienense contemporâneo e amigo de Mozart, do qual é famosa uma ária para soprano e contrabaixo, “Per questa Bella Mano”  Nos anos seguintes, outros compositores escreveram concertos para contrabaixo, dos quais os mais conhecidos são Vanhal, Sperger e Capuzzi.

 SÉCULO XIX

No despontar deste século aparece um executante fora de série, considerado o maior contrabaixista de sempre, para a época. Domenico Dragonetti. Tanto Haydn como Beethoven lhe reconhecem o virtuosismo e começam a dar mais atenção às possibilidades do instrumento ao escreverem as suas sinfonias. Beethoven autonomiza o contrabaixo nos seus escritos (até ele, o contrabaixo apenas dobrava a parte do violoncelo), quer no famoso scherzo da 5ª Sinfonia, quer nas passagens virtuosas da 9ª.

Dragonetti deixou escritas várias obras para o intrumento tais como o famoso Andante e Rondo além de vários concertos.

Na segunda metade do século, há, entre muitos, um nome a assinalar: Giovanni Bottesini. Este virtuoso do contrabaixo é também compositor e maestro. Escreve num estilo italiano, popular e operático, característico desta época verdiana. Nas suas muitas composições para contrabaixo, em geral bastante difíceis de executar,  exploram-se novas potencialidades do instrumento e apreciam-se sonoridades de uma extraordinária beleza. Neste século, distinguem-se já famosos pedagogos do instrumento que deixaram métodos que ainda hoje fazem parte do programa dos conservatórios, entre eles, Simandl e Hrabë.

SÉCULO XX

 Muito se escreveu neste século para contrabaixo, o instrumento das múltiplas sonoridades, terreno fértil para os compositores contemporâneos. Ainda em estilo romântico aparece o famoso concerto de Koussevitzky, que já se pode escutar numa gravação feita pelo próprio. De todos os cantos do mundo aparecem compositores, e executantes virtuosos: